terça-feira, 5 de abril de 2011

Ganso quer sair sim!

Paulo Henrique Ganso afirma que quer permanecer. Apesar do assédio dos grandes clubes europeus e do receio revelado pelo presidente Luís Álvaro, o camisa 10 santista nega que esteja de saída. Porém, sem ter algumas solicitações atendidas pelo clube, o atleta e seu staff mostram descontentamento com a diretoria alvinegra.

O principal impasse era quanto ao salário. O Grupo DIS, detentor da maior parte dos direitos federativos sobre o jogador, solicitava vencimentos iguais ao de Neymar: algo em torno de R$ 500 mil. Esta questão parece agora resolvida com a última oferta feita pelos dirigentes do clube.

Outra grande divergência está no valor da multa rescisória. Hoje ela é de 50 milhões de euros para clubes estrangeiros. Os empresários pedem que a multa caia pela metade para facilitar uma futura saída. A diretoria por enquanto resiste e mantém o valor

A tendência é que Ganso vá para a Europa. O Corinthians até apareceu como candidato tupiniquim a ter o jogador, mas os dirigentes santistas negaram qualquer chance de venda ao clube rival. Andrés Sanchez, presidente corintiano, afirmou interesse no jogador, mas rechaçou servir de intermediador para um clube europeu pagar menos por Ganso.

Após a derrota para o Palmeiras e as vaias da torcida os rumores de uma iminente saída aumentaram. A reclamação da torcida pode ser usada como combustível pelos que querem a venda do jogador.

Por mais que negue de todas as formas, Ganso sente-se pronto e quer sair. Os empresários do Grupo DIS já trabalham para que isso aconteça ao fim da atual temporada europeia.

sábado, 12 de março de 2011

Brasileirão na RedeTV!?

A RedeTV! venceu ontem a licitação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2014. Com a desistência da Globo e, na última hora, da Record, a RedeTV! pôde oferecer um valor relativamente baixo (R$ 516 milhões) e, sem concorrência, sair vencedora.

Claro que, com a desistência das maiores concorrentes, não é surpresa que a emissora paulista tenha vencido. Surpreende até certo ponto a declaração de executivos da emissora, que afirmam que ofereceriam valor superior a R$ 700 mi caso Globo e Record tivessem participado.

Poder de investimento a RedeTV! já mostrou que tem, tanto que já há algum tempo transmite campeonatos internacionais de grande repercussão. A grande incógnita é quanto ao mercado publicitário. Claro que seus executivos já devem ter em mente programas de arrecadação e de mobilização do grande público. Mas como convencer os clubes?

O Cruzeiro, por exemplo, já se manifestou dizendo que pela questão dos valores aceitaria fechar contrato com a emissora vencedora da licitação. Por outro lado, a grande maioria dos chamados clubes dissidentes ainda acredita que pode obter um valor maior negociando isoladamente.

Me parece óbvio, sobretudo pela desistência da Record, que a licitação não terá validade alguma. Record e Globo travam agora uma batalha "por fora", onde o Clube doas 13 não tem nem como intervir. Cabe ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) avaliar até que ponto esta disputa é lícita.

Ao meu ver a Globo segue como favorita. Não só por ter a preferência entre os clubes, mas também por ter o apoio da CBF e pela vivência de mais de vinte anos transmitindo o maior campeonato do país.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Debandada no C13

E então, 24 anos depois, a CBF resolve reconhecer o título brasileiro do Flamengo. Conquistado em 1982, o título era reconhecido como sendo do Sport Clube Recife. Agora a entidade reconhece os dois como campeões. A "mudança de ideia" ocorreu num momento crucial: às vésperas da negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, de 2012 a 2014. Essa foi a grande cartada de Ricardo Teixeira, para que o estopim se acendesse. Teixeira precisava ter o Flamengo ao seu lado.

O todo-poderoso do futebol brasileiro já tinha o apoio do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Apoio este que rendeu bons frutos ao dirigente corintiano, sendo o principal deles o estádio a ser erguido em Itaquera e que deve pertencer ao Corinthians. Apesar desta e de outras parcerias, Ricardo Teixeira não viu eleito seu candidato à presidência do Clube dos 13 no ano passado. Assim precisou aguardar o início de 2011 para convencer os clubes a seguir os seus interesses.

Tendo ao seu lado os dois clubes de maiores torcidas no Brasil, Teixeira consegue agora atrair outros clubes para o seu lado, com a intenção de rachar o Clube dos 13. Além de Corinthians e Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Santos, Palmeiras, Vitória, Goiás, Cruzeiro, Coritiba e Grêmio já anunciaram que devem negociar seus direitos de transmissão à parte do C13.

A finalidade disso tudo é impedir que a Rede Globo perca o direito de transmissão do campeonato, já que a Record parece disposta a pagar um valor bem acima e vencer a licitação. A Rede Globo, inclusive, já declarou formalmente o abandono da licitação e vai negociar com cada clube isoladamente.

A grande questão é: por qual motivo Ricardo Teixeira e sua corja na CBF tem tanto interesse em que a Rede Globo vença a concorrência? Essa é uma das perguntas que me encarrego de responder para a próxima edição do Contraponto, jornal laboratório do curso de Jornalismo da PUC, onde estudo. E, claro, postarei também aqui.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Seleção da década

Acabo de ver no blog do ótimo PVC uma seleção com os times brasileiros da década, a saber: Inter de 2006 (Campeão da Libertadores e do Mndial), São Paulo de 2005(Campeão Paulista, da Libertadores e do Mundial), Cruzeiro de 2003 (Tríplice coroa: Mineiro, Copa do Brasil e Brasileirão) e Santos 2002 (Campeão Brasileiro).

Propus então uma mescla entre esses times para formar o time brasileiro ideal da década.

Um ensaio:
R. Ceni (Fez ótima Libertadores e pegou tudo na final do Mundial), Maurinho (Esteve no Santos 2002 e no Cruzeiro 2003), Alex (Entre tantas revelações ofensivas, destacou-se na zaga santista), Lugano (Xerifão à moda antiga, de desconhecido a ídolo tricolor) e Léo (Peça importante no time de garotos de 2002);
Mineiro e Josué (Ótima dupla. Incansáveis na marcação);
Alex (Maestro celeste na conquista da tríplice coroa) e Diego (Ao lado de Robinho, a grande sensação de 2002);
Robinho (Fez partidas memoráveis, como na finalíssima do Brasileiro 2002) e Fernandão (Apesar de ser meia na escalação base, jogou também como centroavante. Em 2006, foi espetacular em ambas as posições).

Esse seria o meu time ideal. Assim como na escolha dos times, não são os jogadores que mantiveram uma boa regularidade durante toda a década. Mas sim jogadores que tiveram grande destaque em determinada temporada.

Podemos de repente escolher o jogador da década no Brasil. Por exemplo: Robinho de 2002 ou Alex de 2003, Tevez de 2005 ou Fernandão de 2006. É...isso pode ficar pra um outro post.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Decepção colorada. Alegria africana

A festa começou antes da partida. E durou bem menos do que se esperava. A histórica classificação do Mazembe à final do Mundial de clubes frustrou colorados, alegrou tricolores e surpreendeu o mundo, que esperava o duelo Inter x Inter na decisão.

É, de fato, uma grande decepção, um vexame. Mas há por parte de alguns certo exagero. Estamos falando de futebol. E muitas vezes dá-se demasiado destaque ao favorito que foi derrotado. Sei que por estarmos no Brasil é natural o foco ser o time brasileiro. Mas em algumas reportagens e comentários parece que o adversário inexistia.

O feito histórico não pode passar despercebido. Da mesma forma que a ausência do campeão sulamericano na final do Mundial é inédita, a classificação africana é um feito que será sempre lembrado. Sabe-se lá quando isso se repetirá. Será ainda mais espetacular se a Inter de Milão não passar na outra semifinal. E isso não é impossível: há um time do outro lado.




Obs: O atacante Adriano acertou com o Corinthians e aguarda liberação junto à Roma. Mais detalhes em breve.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A arte de torcer

A ESPN transmite em sua grade de programação um especial feito em conjunto com a Petrobrás. Um torcedor-símbolo, vencedor da promoção feita pela empresa de energia, percorreu o Brasil durante todo o campeonato brasileiro. Entrevistou torcedores, acompanhou partidas e retratou o futebol pela visão mais apaixonada que dele se pode ter.

O sensacional documentário mostra torcedores famosos e deconhecidos, de todas as idades. Acompanha clubes grandes e pequenos, de todas as regiões do país. Nos faz ver que da mesma forma que o torcedor flamenguista demonstra sua paixão, o torcedor do Ceará canta e vibra com seu clube. Claro que há torcidas maiores e mais participativas, mas individualmente os torcedores são muito parecidos. As peculiaridades aparecem, como por exemplo na superstição dos botafoguenses, ou na dramaticidade dos corintianos.

Algo que parece muito comum a todos é o amor incondicional pelo clube de coração. E é esse o ponto alto do especial. A paixão que faz rir e chorar por algo irracional é muitas vezes inexplicável. Só quem tem um time pelo qual torcer consegue explicar. Ou não. Não importa se faz chuva ou sol, se é 1ª ou 2ª divisão, se o seu time é ou não favorito, torcer trás uma sensação ímpar. Para os assíduos frequentadores de estádios, mais que isso: sentem-se fundamentais para o desepenho dos jogadores em campo.

São interessantes algumas declarações: "O nosso time é como se fosse um membro da família", "Se minha esposa me dissesse 'Ou o Palmeiras ou eu'... eu teria que sair de casa". Podem parecer exagero, mas não são. O amor pelo clube é como o de um relacionamento humano. Temos boas lembranças, histórias pra contar, datas a se comemorar. Vivemos momentos felizes, outros nem tanto. Pode ser que ocorram crises, a paixão pode esfriar. Mas no caso do time, o amor sempre é eterno. "Você pode trocar de mulher, de casa, de carro, mas nunca de time". A frase é clichê, mas é a mais pura verdade.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Clássico do Século

Barcelona e Real Madrid fizeram mais um grande clássico no Camp Nou. Os falastrões portugueses do Real sairam derrotados, enquanto os discretos craques culés deram show: 5 a 0, fora o baile. E, como Ronaldo havia previsto, não foi de 8. Mas nem precisava.

Algumas considerações a respeito da partida:

*O futebol jogado pelo Barça é algo mágico. Passes precisos, marcação pressão sobre a zaga adversária e, claro, posse de bola excessiva. Toca a bola o jogo todo se precisar. Não bastasse isso, tem talentos individuais de sobra: Xavi, Iniesta, Messi... Não há dúvidas: é a melhor equipe do mundo.

*O time do Real Madrid, que levou de 5, não é um time ruim, óbvio. Além de Cristiano Ronaldo (que sumiu no jogo) em grande fase, o time possui uma organização muito grande. Evoluiu bastante nas mãos de José Mourinho. Nada que fosse páreo para a paciência e inteligência do time catalão.

*Ótima arbitragem. O árbitro Iturralde González foi perfeito em todas as marcações. Procurou amenizar o clima tenso distribuindo alguns cartões, não caiu em simulações e expulsou corretamente Sergio Ramos, que perdeu a cabeça no fim. Com um brasileiro no apito o jogo certamente teria muito mais paralisações.

*Afinal de contas, entre Messi e Ronaldo, quem é o argentino mesmo? Messi é muito mais discreto (na personalidade), tímido até. CR7 tem uma personalidade bem mais, digamos, castelhana que o atual melhor do mundo. Marrento, arrogante e catimbeiro, o português demonstrou muito mais "milonga" na partida. Saiu derrotado.

*Entre os treinadores, da mesma forma, o mais discreto saiu mais sorridente. Aliás, Mourinho nunca havia deixado o campo tão humilhado. Foi a maior derrota de sua carreira. Nem mesmo em times bem mais modestos de sua terra natal, o português havia sofrido tamanho revés.

Obs: Acabei de ver Goiás x Independiente pela final da Copa Sul-americana. Ótima partida para os moldes da América do Sul. Mas vendo tanta bola cruzada na área, tanta dividida no meio-campo, dá uma saudade de ver o Barça jogar...